O autor moçambicano regressa com “Jesusalém”, romance sobre
a loucura e a solidão dos homens e dos lugares. Mia couto diz-se
«honrado» por ser conhecido como inventor de palavras mas garante
que os seus livros vão mais além.
Estamos num combate de boxe: Mia Couto levanta-se, decidido,
para mais um assalto à Língua portuguesa. Não interessa quem
sai vitorioso do ringue mas, para que conste, é quase sempre o escritor.
Porque refaz, parte, inventa o idioma de Camões.
«Se eu ficar conhecido como um inventor de palavras, ficarei muito honrado com isso. Para mim, a palavra tem esse dom sagrado, é um território onde me parece que posso ter esse alcance divino de nomear o mundo pela primeira vez», começa por dizer Mia Couto, com romance novo, “Jesusalém” (Caminho; ver crítica nesta edição).
O que incomoda o autor é que a análise dos seus livros «seja reduzida ao seu aspecto linguístico, àquilo que é a oficina linguística». Que só existe porque a poesia que quer introduzir, a sua visão do mundo, «nem sempre se pode servir da língua já feita e isso implica que tenha que rearranjar a língua, tenha quase que fundar um idioma». Mia Couto garante nunca fazer uma elaboração forçada para introduzir uma palavra que não tenha cabimento em determinada história. «Essa palavra depois vai encontrar um lugar mais tarde. Parece-me grave tentar encontrar um contexto falseado onde essa palavra possa existir.» Na sala onde conversamos com este moçambicano filho de pais portugueses, no edifício da Leya, em Alfragide, não há vestígios desta luta linguística e o ambiente é até asséptico. De livro na mão, já desfizéramos o equívoco do título há umas semanas, mas ainda há muito quem pense que “Jesusalém” é “Jerusalém”, como o romance que valeu a Gonçalo M. Tavares o Prémio José Saramago em 2005.
para mais um assalto à Língua portuguesa. Não interessa quem
sai vitorioso do ringue mas, para que conste, é quase sempre o escritor.
Porque refaz, parte, inventa o idioma de Camões.
«Se eu ficar conhecido como um inventor de palavras, ficarei muito honrado com isso. Para mim, a palavra tem esse dom sagrado, é um território onde me parece que posso ter esse alcance divino de nomear o mundo pela primeira vez», começa por dizer Mia Couto, com romance novo, “Jesusalém” (Caminho; ver crítica nesta edição).
O que incomoda o autor é que a análise dos seus livros «seja reduzida ao seu aspecto linguístico, àquilo que é a oficina linguística». Que só existe porque a poesia que quer introduzir, a sua visão do mundo, «nem sempre se pode servir da língua já feita e isso implica que tenha que rearranjar a língua, tenha quase que fundar um idioma». Mia Couto garante nunca fazer uma elaboração forçada para introduzir uma palavra que não tenha cabimento em determinada história. «Essa palavra depois vai encontrar um lugar mais tarde. Parece-me grave tentar encontrar um contexto falseado onde essa palavra possa existir.» Na sala onde conversamos com este moçambicano filho de pais portugueses, no edifício da Leya, em Alfragide, não há vestígios desta luta linguística e o ambiente é até asséptico. De livro na mão, já desfizéramos o equívoco do título há umas semanas, mas ainda há muito quem pense que “Jesusalém” é “Jerusalém”, como o romance que valeu a Gonçalo M. Tavares o Prémio José Saramago em 2005.
Veja, a matéria, na íntegra, no link abaixo:
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